Anarquitetura: Arte e Arquitetura Contemporâneas em Diálogo

Objetivos:

Objetivos gerais – Realizar uma leitura transversal da cultura contemporânea (1970 – 2010) através da arte e da arquitetura. – Realizar uma discussão cruzada entre aspectos essenciais da arte e da arquitetura contemporâneas. Objetivos específico – Apresentar e analisar, através de alguns casos exemplares, o processo de explosão do suporte da obra nas artes plásticas e, como uma das decorrências desse processo, o modo como os artistas passaram a incorporar temas, processos e elementos arquitetônicos em suas obras. – Apresentar e analisar, através de alguns casos exemplares, o processo de rompimento do funcionalismo na arquitetura, e o modo como os arquitetos passaram a incorporar uma plasticidade escultórica em seus trabalhos. – Discutir a relação entre conceitos comuns porém com significados diversos na teoria da arte e da arquitetura, tais como formalismo, estrutura, forma, informe, campo.

Justificativa:

“Campo ampliado da escultura e da arquitetura” (Rosalind Krauss e Anthony Vidler), “complexo arte-arquitetura” (Hal Foster), “condições de campo” (Stan Allen), são alguns dos conceitos que têm balizado as produções artísticas e arquitetônicas nas últimas décadas. Eles apontam para a progressiva dissolução das fronteiras disciplinares entre as artes (incluída aí a arquitetura), demarcando a crise da autonomia da arte, chamada de “formalismo moderno”. Fica claro, de acordo com o ponto de vista desses autores, que o estudo e a interpretação das artes visuais e da arquitetura merecem uma apreciação conjunta. Os temas aqui propostos como baliza para tal apreciação são os seguintes: a) a discussão dessa ampliação de campo à luz da ambiguidade fundante da modernidade em arquitetura, dividida entre as ideias de autonomia e de síntese das artes; b) o nascimento conjunto da Pop Art e do brutalismo arquitetônico na Inglaterra dos anos 1950, e os seus caminhos divergentes nas décadas seguintes; c) os coletivos de artistas e arquitetos dos anos 1970 e a revisão do otimismo pop norte-americano em relação à cultura de consumo; d) a discussão da ausência de sujeito e da “morte do autor” em relação à crítica da forma; e) a aproximação e o distanciamento da agenda ecológica dos anos 1970 e 2000 através dos conceitos de entropia e de sustentabilidade; f) a relação entre cultura local (regionalismo crítico) e especificidade do lugar (site-specific), aproximando escultura e arquitetura; g) o deslocamento de ênfase dos esqueletos estruturais para as peles na arquitetura contemporânea, e sua relação com o minimalismo e arte pop; h) a discussão da produção de um conjunto importante de artistas e arquitetos contemporâneos com base nos conceitos opostos de forma e informe, e de matéria e atmosfera.

Conteúdo:

Aula 1 Introdução à temática do curso. Apresentação do programa e comentários sobre os temas e a bibliografia Aula 2 O “complexo arte-arquitetura”, a diluição das fronteiras artísticas na contemporaneidade Leitura de base: Rosalind Krauss, “The sculpture in the expanded field”, in The originality of the avant-garde and other modernist myths; Anthony Vidler, “O campo ampliado da arquitetura”, in A. Krista Sykes (org.), O campo ampliado da arquitetura; e Stan Allen, “Condições de campo”, in A. Krista Sykes (org.). Aula 3 Arte e arquitetura moderna: autonomia ou síntese? Leitura de base: Giulio Carlo Argan, “Arquitetura e arte não-figurativa”, in Projeto e destino; e Piet Mondrian, Neoplasticismo na pintura e na arquitetura Aula 4 Arte Pop e Brutalismo: o Independent Group, Andy Warhol e as Megaestruturas Leitura de base: Hal Foster, “Construção de imagens”, in O complexo arte-arquitetura; e Robert Venturi e Denise Scott Brown interviewed by Hans Ulrich Obrist e Rem Koolhaas, “Relearning from Las Vegas”, in Rem Koolhaas et alii, Harvard Design School Guide to shopping Aula 5 A Pop obsolescente: os grupos SITE e Ant Farm 1o tempo: Aula expositiva 2o tempo: Seminário 1 | Felicity Scott, “Shouting apocalypse”, in Architecture or techno-utopia; e Bruno Zevi e Pierre Restany, SITE: la arquitectura como arte Aula 6 O sujeito em questão: Marcel Duchamp, Donald Judd, Peter Eisenman 1o tempo: Aula expositiva 2o tempo: Seminário 2 | Robert Morris, “Anti Form”, in Continuous project altered daily; e Rosalind Krauss, “O duplo negativo”, in Caminhos da escultura moderna Aula 7 Flutuação do paradigma ecológico: da entropia à sustentabilidade 1o tempo: Aula expositiva 2o tempo: Seminário 3 | Robert Smithson, “Entropy made visible”, in Jack Flam (org.), Robert Smithson: the collected writings; e Norman Foster et alii, “Questionário verde”, in A. Krista Sykes (org.), O campo ampliado da arquitetura Aula 8 A valorização do local: regionalismo crítico e escultura site-specific 1o tempo: Aula expositiva 2o tempo: Seminário 4 | Kenneth Frampton, “Perspectivas para um regionalismo crítico”, in Kate Nesbitt (org.), Uma nova agenda para a arquitetura; e Miwon Kwon, One place after another Aula 9 Transparência literal e fenomenal: arquitetura minimalista ou pop? 1o tempo: Aula expositiva 2o tempo: Seminário 5 | Colin Rowe e Robert Slutzky, “Transparencia: literal y fenomenal”, in Manierismo y arquitectura moderna y otros ensayos; e Hal Foster, “Museus minimalistas”, in O complexo arte-arquitetura Aula 10 Arte arquitetônica, arquitetura artística: Richard Serra e Frank O. Gehry 1o tempo: Aula expositiva 2o tempo: Seminário 6 | Richard Serra, “Interview with Peter Eisenman”, in Writings/interviews; Hal Foster, “Sculpture remade” in The art-architecture complex; e Mark Linder, “Dumby building: Frank Gehry’s architectural identity”, in Nothing less than literal Aula 11 O ‘informe’ negativo: Matta-Clark e Rem Koolhaas Leitura de base: Yve-Alain Bois e Rosalind Krauss, Formless: a user’s guide; Pamela Lee, Object to be destroyed; e Fredric Jameson, “As limitações do pós-modernismo”, in As sementes do tempo Aula 12 O ‘informe’ matérico: Joseph Beuys e Herzog & de Meuron Leitura de base: Philip Ursprung (org.), Herzog & de Meuron: natural history; e Luis Fernández-Galiano, “Dioniso en Basilea”, in AV Monografias n. 77 Aula 13 Atmosferas: Olafur Eliasson e Kazuyo Sejima Leitura de base: Bruno Latour, “Atmosphère, atmosphère”, in Javier García-Germán (org.), De lo mecánico a lo termodinámico; e Peter Sloterdijk, Neither sun nor death Aula 14 O embaçamento da visão: Gerhard Richter, Michael Wesely e Diller Scofidio Leitura de base: Guilherme Wisnik, “Dentro do nevoeiro: o futuro em suspensão”, in Adauto Novaes (org.), O futuro não é mais o que era; Christian Borch (org.), Architectural atmospheres; e Fredric Jameson, “O tijolo e o balão: arquitetura, idealismo e especulação imobiliária”, in A cultura do dinheiro Aula 15 Encerramento do curso

Forma de Avaliação:

Serão avaliados por sua participação nos seminários e aulas (50% da nota final), e por uma monografia individual que deverá analisar temas presentes na discipli

Observação:

O curso compreende aulas expositivas e seminários em grupo. Os seminários desenvolverão temas pertinentes às aulas através de uma bibliografia indicada, que aprofunda as questões teóricas trazidas pelas obras analisadas.

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