Conforto Ambiental em Espaços Urbanos Abertos

Objetivos:

1. Caracterizar as condições de conforto ambiental urbano. 2. Desenvolver a leitura e a representação dos fenômenos ambientais urbanos. 3. Estabelecer as relações entre os fenômenos ambientais urbanos e os padrões de ocupação do solo, o projeto dos espaços e o desenho dos edifícios. 4. Definir a instrumentação e os procedimentos para trabalhos de campo, bem como para a análise dos resultados e o tratamento de dados.

Justificativa:

Nos últimos anos muitas cidades são vistas como símbolos de crise ambiental. Os problemas relacionados ao meio ambiente urbano são os mais variados: excesso de ruído, emissão de poluentes no ar e na água, escassez de recursos energéticos e de água, falta de tratamento adequado de resíduos, alterações no regime de chuvas e de ventos, formação de ilhas de calor, ilhas secas, ilhas de frio, inversão térmica, aumento do consumo de energia para condicionamento artificial e transporte, etc. O condicionamento artificial dos edifícios teve efeitos marcantes nas cidades modernas. A vida urbana se converteu em uma série de experiências condicionadas artificialmente, com moradia, espaços de trabalhos e veículos isolados do exterior. Liberando os edifícios das preocupações climáticas, o condicionamento artificial permitiu o desenvolvimento de megaestruturas cujo aquecimento, refrigeração, umidade e iluminação dependem totalmente de sistemas mecânicos. Isso fez com que as cidades dessem as costas ao meio exterior, tornando-se cada vez mais um lugar contaminado, varrido por ventos de inverno ou sufocados pelo calor do verão. A preocupação exclusiva com o microclima interior nega o papel climático ao espaço exterior e os microclimas urbanos cada vez mais insalubres geram maior confiança nos microclimas interiores controlados. Enquanto isso, a qualidade ambiental dos espaços públicos urbanos fica em segundo plano. O sucesso ou o fracasso dos espaços públicos urbanos tem muito a ver com o conforto. Existem outras exigências igualmente importantes, tanto funcionais como estéticas, mas se o lugar é desconfortável, esse desconforto pode acabar com todas as outras considerações. Porém, a habilidade dos espaços abertos depende do alcance de nlveis aceitáveis de conforto, e a ideia não é alcançar as mesmas condições de um espaço interior climatizado. Já existe uma fundamentação teórica e dados empíricos suficientemente claros para afirmar que o espaço construído é um dos fatores que contribuem para a criação de microclimas diferenciados em relação ao clima regional. Teoricamente esse processo é reversível, ou pelo menos pode ser controlado até certo ponto pelas ações de planejamento e desenho urbano. Os espaços, abertos podem ser razoavelmente climatizados, o que depende de uma complexa interação entre as condições climáticas locais, os padrões de ocupação do solo, a existência de áreas verdes e a presença de água. Cada cidade é composta por um mosaico de microclimas diferentes, e os mesmos fenômenos que caracterizam o mesoclima urbano existem em miniaturas por toda a cidade, como pequenas ilhas de calor, bolsões de poluição atmosférica e diferenças locais no fluxo dos ventos. Este mosaico pode ser criado intencionalmente, através do projeto dos espaços externos. Hoje já se sabe que pode haver compatibilidade entre verticalização, alta densidade ocupacional e manutenção da ventilação em áreas urbanas, e que, sob determinadas condições é possível criar microclimas urbanos que nunca existiram nas condições naturais, verdadeiros oásis urbanos. Quando as condições naturais não são favoráveis, a criação de um microclima apropriado é essencial para incentivar (ou até mesmo possibilitar) o uso de áreas externas. Além das questões de conforto ambiental propriamente ditas, a criação desses oásis urbanos é parte da estratégia para se alcançar maior eficiência energética nas cidades, e o planejamento torna-se muito mais palpável quando acompanhado de considerações mensuráveis para a tomada de decisões, por exemplo, com parâmetros de conforto ambiental, de controle de poluição e eficiência energética. Através de um conjunto de medidas relacionadas ao planejamento da cidade e ao tratamento dos espaços públicos é possível se criar microclimas mais amenos em regiões de clima rigoroso, ou até mesmo criar microclimas que nunca existiram nas condições naturais, claro que não na cidade como um todo, como se ela fosse climatizada à maneira das cidades visionárias protegidas por um domo climatizado, mas em uma sucessão de pequenos espaços com certo grau de confinamento, onde a alteração das condições climáticas seja possível. As propostas de renovações urbanas sempre abordam a melhoria da qualidade ambiental. Projetos desse porte envolvem desapropriações, alterações nos gabaritos, possibilidade de aumento de áreas de infiltração, etc., e oferecem uma oportunidade para que o conhecimento que vem sendo acumulado sobre o meio ambiente urbano possa ser incorporado às legislações municipais, mesmo em cidades já consolidadas, tanto no planejamento como nos códigos de edificações específicos para as áreas em transformação. O problema, portanto, consiste em definir as correlações existentes entre os microclimas urbanos e os padrões de ocupação e definir as condições para a melhoria das condições de conforto térmico nas cidades, assim como em indicar a instrumentação legal e técnica necessária à sua implementação. Como parte do processo de construção das cidades, o tema apresenta relevância e abrangência suficientes para justificar sua eleição como objeto de uma disciplina de pós-graduação.

Conteúdo:

Caracterização das condições de conforto ambiental urbano. Índices de conforto térmico em espaços urbanos abertos. Leitura e a representação dos fenômenos ambientais urbanos. Acesso ao sol em áreas urbanas. Ventilação urbana. Acústica urbana. Efeitos da vegetação no ambiente urbano. Geometria e superfícies urbanas. Balanço de energia em áreas urbanas. Escalas climáticas. Teorias sobre Clima Urbano. Relações entre os fenômenos ambientais urbanos e os padrões de ocupação do solo, o projeto dos espaços abertos e o desenho dos edifícios. Técnicas de pesquisa em clima urbano: medidas fixas, transectos, instrumentação, procedimentos de medição, análise dos resultados e tratamento dos dados.

Forma de Avaliação:

Observação:

Disciplina com aulas práticas de bancada no laboratório e trabalho de campo

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2019  

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IAUC046 11/03/2013 11:49