Museus: Abordagem Histórica

Objetivos:

O curso se dispõe a interpretar o presente com análises históricas, sincrônicas e diacrônicasa, porquanto, a abertura para o público de museus e coleção, aliada à seleção de parcela deste conjunto para ser exposta não constituem uma prática atual. Mesmo antes de surgirem os museus na versão corrente, coleções e curadores já se dedicavam a formular conceitos com obras em dado espaço. As práticas disseminaram padrões projetuais, tanto na questão das soluções exposicionais, quanto do tratamento do espaço. As coleções reais, imperiais, papais e universitárias, desde o renascimento abrigaram o singular, o exótico e o exponencial diante do habitual e cotidiano, a incluir as de artista vivo. Com o século passado museus e coleções voltaram às questões de seu tempo e reuniram artistas ainda atuantes e, estes igualmente criaram as próprias instituições, assim ampliando as hipóteses de atribuição de valor e independência do sistema, desde à crítica ao mecenato. Com arte contemporânea despontou uma diversificada gama de modalidades que desafiam o estatuto tradicional, incluindo-se obras efêmeras, outras abrangendo certa intertextualidade entre distintas formas artísticas, a desmaterialização da obra, tendo ensejado mudanças no próprio conceito acerca do se pode denominar como arte.

Justificativa:

Desde a Antigüidade grega até a atualidade a organização de espaços para expor e acolher coleções gerou inúmeras tipologias construtivas. Atendem-se assim às necessidades de programas para distinto público, de forma a que o ato de colecionar e expor emane variadas finalidades, incluindo-se votiva, identitária, como atributo do poder e, mesmo simples deleite. Desde o Século XIX, a arte apartada das Academias e de determinados circuitos procurou autonomia e, para tanto, conquistar lugares para expor e, desta forma, contornar o repúdio da oficialidade a dadas premissas e interesses. O estudo visa ampliar o debate sobre o papel das instituições museais na escrita da História da Arte, analisar a permanência de determinados fetiches, quanto à obra prima, o talento do artista e a perenidade da própria instituição, numa época em que o negócio da arte ganha em complexidade.

Conteúdo:

I Parte: COLEÇÃO, EXPOSIÇÃO E ATRIBUTOS. “Aqueles que olham são os que fazem ”. Marcel Duchamp, 1991, 147 Da Antigüidade a atualidade: expor gera atributos e consolida identidades. Grandes Mostras e veiculação de Atributos: da abertura das coleções papais às Bienais Criação de coleções museais: dos Salões às Exposições Industriais. Artista versus curador: exposições que inserem paradigmas II Parte – MUSEU, TEMPO E ESPAÇO.. “Existe espaço sempre que se tomam em conta vetores de direção, quantidades de velocidade e a variável tempo. (…) Em suma, o espaço é um lugar praticado. (…). Do mesmo modo, a leitura é o espaço produzido pela prática do lugar constituído por um sistema de signos – um escrito”. Michel de Certeau, 1996, 201-2. Expor e Expandir: Museus abrigam a cultura coetânea ao tempo. Espaço expositivo e a contribuição da arte e arquitetura modernas. Minimalismo: extensão do espaço perceptivo e do museal. Arquitetura museal e re-qualificação urbana na era do espetáculo III Parte – MUSEU, MEMÓRIA E ESTADO Museu e Estado: tutela, Guerra Fria e território cultural I Parte: COLEÇÃO, EXPOSIÇÃO E ATRIBUTOS. “Aqueles que olham são os que fazem ”. Marcel Duchamp, 1991, 147 Da Antigüidade a atualidade: expor gera atributos e consolida identidades. Grandes Mostras e veiculação de Atributos: da abertura das coleções papais às Bienais Criação de coleções museais: dos Salões às Exposições Industriais. Artista versus curador: exposições que inserem paradigmas II Parte – MUSEU, TEMPO E ESPAÇO.. “Existe espaço sempre que se tomam em conta vetores de direção, quantidades de velocidade e a variável tempo. (…) Em suma, o espaço é um lugar praticado. (…). Do mesmo modo, a leitura é o espaço produzido pela prática do lugar constituído por um sistema de signos – um escrito”. Michel de Certeau, 1996, 201-2. Expor e Expandir: Museus abrigam a cultura coetânea ao tempo. Espaço expositivo e a contribuição da arte e arquitetura modernas. Minimalismo: extensão do espaço perceptivo e do museal. Arquitetura museal e re-qualificação urbana na era do espetáculo III Parte – MUSEU, MEMÓRIA E ESTADO Museu e Estado: tutela, Guerra Fria e território cultural Universidade: museu, ensino e saber Monumentos e museus debatem Ditaduras na América Latina Expor e musealizar a cultura do Outro

Forma de Avaliação:

Observação:

Cada aluno deverá realizar Seminários, individual, geral e em grupo, e um Trabalho Final. Este será individual em formato de artigo para revista, à escolha e incluindo-se eletrônica, tendo entre 6-10 páginas, contando-se aquelas reservadas para imagens, notas e ilustrações. Cada participante abordará no Trabalho Final problemas da atualidade encontrados na musealização de obras modernas e contemporâneas. Preferencialmente sugere-se que a questão esteja vinculada à dissertação, ou ao doutorado do aluno, propiciando uma análise dentro das premissas discutidas no curso.

Bibliografia:

? I PARTE – COLEÇÃO, EXPOSIÇÃO E ATRIBUTOS
BAZIN, Germain. The Louvre. London: Thames and Hudson, 1957.
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BOURDIEU,Pierre & DARBEL, Alain. L’amour de l’art: les musées de l’art européens et leur public. Paris: Minuit, 1969.
CLIFFORD, James. Colecionando arte e cultura. In: revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (230): 219-40, 1994.
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HASKELL, Francis. Mecenas e pintores: arte e sociedade na Itália Barroca. São Paulo, Edusp, 1997.
HOLZ, Hans Heinz. De la obra de arte a la mercancía. Barcelona, Gustavo Gili, 1979.
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LEON, Aurora. El museo: teoria, praxis y utopia. 5 ed. Madrid, Catedra, 1990, p.9-65.
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——– Musée et patrimoine In: JEUDY, Henri Pierre (org). Patrimoniers en folie. Paris: Maison des Science de L’homme, 1990
SCHAER, Roland. L’invention des musées. Paris: Gallimard, 1993

? II Parte – MUSEU,TEMPO E ESPAÇO
ABREU, Regina. A fabricação do imortal: Memória, história e estratégias de consagração no Brasil. Rio de Janeiro, Rocco, 1996.
AZEVEDO, Fernando de. A cultura brasileira. 5 ed. Rio de Janeiro, UFRJ, 1996.
BANN, Stephan Visões do passado: reflexões sobre o tratamento dos objetos históricos e museus de história. .As invenções da história: ensaios sobre a representação do passado. São Paulo, Unesp, 1994.
CASTILLO, Sônia Salcedo del. Cenário da arquitetura na arte: montagens e espaços de exposição. São Paulo, Martins, 2008.
CAUQUELIN, Anne. O regime da comunicação, ou a arte contemporânea. In: Arte contemporânea: uma introdução. São Paulo, Martins, 2005, p.55-84.
FERREIRA, Glória & COTRIM, Cecília. Escritos de artistas: anos 60 e 70. Rio de Janeiro, Zahar, 2006.
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? III Parte – MUSEUS, MEMÓRIA E ESTADO
DÉOTTE, Jean-Louis. Le Musée, l’origine de l’esthétique. Paris: L’Harmattan,1993.
——– Oubliez! Les ruines, L’Europe, Le musée. Paris: L’Harmattan, 1994.
FELICIANO, Hector. The lost museum: the nazy conspiracy to steal the world’s gratest works of art. New Yor Harper Collin, 1997.
HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo, Vértice, 1990.
——— A memória coletiva. São Paulo, Centauro, 2004
JEUDY, Henri-Pierre. Memória do social. Rio de Janeiro, Forense, 1990.
KARP, Ivan & LAVINE, Steven D. (org) Exhibiting cultures: the poetics and politics of museum display. Washington: Smithsonian, 1991.
MONTANER, Josep Maria. Arquitectura y critica. Barcelona: Gustavo Gili, 1999.
——–. Museos para el nuevo siglo. Barcelona: Gustavo Gili, 1995. ——– Museus para o século XXI. Barcelona: Gustavo Gili, 2003.
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NORA, Pierre. Les lieux de mémoire. Paris: Gallimard, 1985.
POINTON, Marcia (ed) Art apart: art institutions and ideology across England and North America. New York: Manchester, 1994.
POLI, Francesco. Producción artística y mercado.2 ed. Barcelona: Gustavo Gili, 1975.

? Seminários: MUSEUS BRASILEIROS
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——– Coleção Mário de Andrade. Notas de pesquisa [Imaginária sacra] Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, São Paulo (36): 271-82, 1994.
BATISTA, Marta Rossetti & LIMA, Yvone Soares de Coleção Mário de Andrade. Artes Plásticas. São Paulo, Edusp, 1997.
D’HORTA, Vera. MAM Museu de Arte moderna de São Paulo. São Paulo, DBA, 1985.
LOPES, Maria Margaret. O Brasil descobre a pesquisa científica: os museus e as ciências naturais no século XIX. São Paulo, Hucitec, 1997.
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——– Operários da modernidade. São Paulo, HUCITEC/ EDUSP, 1995.
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LOURENÇO, Maria Cecília França e outros. A Pinacoteca do Estado. São Paulo, Safra, 1994.
MELLO NETTO, Ladislau de Souza. Investigações históricas e scientificas sobre o Museu Imperial. e Nacional. Rio de Janeiro, Instituto Philomático, 1870.
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O MUSEU Paulista da Universidade de São Paulo. São Paulo, Safra, 1984.
SANTOS, Francisco Marques dos. As Belas Artes no Primeiro Reinado (1822-1831). Estudos Brasileiros. Rio de Janeiro (11): 471-509, mar. Abr. 1940.
——– D. Pedro II e a preparação da maioridade. Estudos Brasileiros. Rio de Janeiro (19, 20, 21):7-140 jul a dez. 1941.
——– Subsídios para o estudo das Belas Artes no Segundo Reinado (1831-1840). Estudos Brasileiros. Rio de Janeiro (25, 26, 27) 24 jul. a dez 1942.
SCHWARCZ, Lilia Moritz. O espetáculo das raças: Cientistas, instituições e questões raciais no Brasil. 1870-1930.
? Dissertações e teses acadêmicas
ARAÚJO, Marcelo Mattos. Os modernistas na Pinacoteca: o museu entre a vanguarda e a tradição. São Paulo, FAUUSP, 2002. (Tese Doutorado).
CABRAL, Cristina Nascentes. Arquitetura da arte: o paradoxo nos museus de arte moderna. Rio de Janeiro, PUC, 2003 (Tese de doutorado).
DALLARI, Heloisa. Cartaz: Uma Abordagem Histórico-Visual.. São Paulo, FAU/USP, 1996. (Dissertação Mestrado)
——– Design e exposição: das vitrines para as novas telas.. São Paulo; FAUUSP 2008. (Tese Doutorado).
DETTINO, Bianca Abadde. Mário de Andrade colecionador olhar a frente de seu tempo. São Paulo, FAU/ USP, 2012. (Dissertação de mestrado).
ESCOBAR, Miriam. Centenário da Independência: monumento cívico e narrativa. São Paulo, FAUUSP, 2005. (Tese Doutorado).
FARIAS, Agnaldo. Esculpindo o espaço: a escultura contemporânea e a busca de novas formas de relação com o espaço. São Paulo, FAUUSP, 1997.
FIRMO, Adrienne Oliveira. Tempo e memória: arte contemporânea como desafio à formação de acervos em Instituição pública. São Paulo, PGIUEHA, 2010. (Dissertação de mestrado)..
HERBST JÚNIOR, Helio Luiz. Pelos Salões das bienais, a arquitetura ausente dos manuais: expressões da arquitetura moderna brasileira exposta nas bienais paulistanas (1951-1959). São Paulo, FAUSP, 2007. (Tese Doutorado)
——– Promessas e Conquistas: arquitetura e modernidade nas Bienais. São Paulo, FAU/USP,. 2002. (Dissertação Mestrado).
NASCIMENTO, Ana Paula. Espaços e a representação de uma nova cidade São Paulo, 1895-1929. São Paulo, FAUUSP, 2009. (Tese Doutorado).
——– MAM-SP: museu para a metrópole. São Paulo, FAU/ USP, 2003 (Dissertação de mestrado).
NERY, Raquel da Costa Nery. A Preservação das Artes Aplicadas no Patrimônio Histórico e Artistíco Nacional: um estudo de caso sobre a ourivesaria de adorno. São Paulo, FAU/ USP, 2012. (Dissertação de mestrado).
MAIA, Renato de A. Arquiteturas para o Museu de Arte Contemporânea da USP. São Paulo, FAU-USP, 2005 (doutorado).
MOTTA, Renata Vieira da. Museu e cidade: o impasse dos MACs.. São Paulo, FAUUSP, 2009. (Tese Doutorado)
——– O MASP em exposição: mostras periódicas na 7 de Abril. São Paulo, FAUUSP, 2003. (Dissertação de mestrado).
RAHME, Anna Maria Abrão Khoury. Imagens Femininas em Memória à Vida; a escultura nos cemitérios da Consolação, Araçá e São Paulo, de 1900 a 1950. São Paulo, FAUSP, 2000. (Dissertação Mestrado).
——– Inovar e conservar: ambigüidade no Monumento Constitucionalista. São Paulo, FAUSP, 2005. (Tese Doutorado).
RESENDE, Ricardo. O museu romântico de Lina Bo Bardi: origens e transformação de uma certa museografia. São Paulo, ECA-USP, 2002 (Dissertação de Mestrado).
SCHINCARIOL, Zuleica. Através do espaço do acervo: o MASP na 7 de Abril. São Paulo, FAU-USP, 2000 (mestrado).
TUTOILMONDO, Joana Vieira. Arte contemporânea brasileira e a formação dos acervos museológicos (1900-2006). São Paulo, FAUUSP, 2009. (Tese Doutorado)

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