Programa da Casa Brasileira

Objetivos:

No curso normal de graduação não existe disciplina que trate da habitação brasileira de modo abrangente, isto e, que estude, alem dos aspectos tecnicos-construtivo e dos comprometimentos de ordem estética, as condições de satisfação plena dos programas de necessidades. De modo abrangente que englobe, no tempo, desde os primeiros anos da colônia ate hoje e no espaço, os Oiapoque ao Chui, todas as manifestações, populares e eruditas, voltadas ao morar. E certo que algumas disciplinas tratam setorialmente de um tipo de moradia, como por ex., aquela ministrada pela Profa. Maria Ruth do Amaral Sampaio, que se interessada pela “moradia popular paulistana”, mas nenhuma delas tem a preocupação de ver casas brasileiras dentro de uma só sistemática de abordagem. E claro que os “aspectos programáticos” expressos no titulo da disciplina não se restringem somente às enfadonhas listas hierarquizadas de dependências e sim de modo com que deverão ser exercidas as atividades ditas domesticas tendo em vista, alem dos aspectos culturais inerentes as sociedades distribuídas pelo Brasil afora, as condições do clima e recursos do meio ambiente, que, de um ou de outro estão, inclusive, refletidos nos equipamentos das habitações, rurais ou urbanas. E dentro dessa programação da casa brasileira há de se ver, também, principalmente no passado, como se superpõem num mesmo espaço abrigado aquelas atividades do cotidiano domestica. Estudaremos, então, os critérios dessa superposição que diferenciam as casas proletárias daquelas burguesas da classe dominante. Enfim, esta disciplina agora proposta ira se deter com muita atenção nos enfoques ligados a antropologia – caminho sem duvida necessário a compreensão da casa brasileira. Vauthier disse certa vez que quem viu uma casa brasileira viu todas. Sim, aparentemente elas podem ser semelhantes, mas na realidade, são usadas de modos diferentes e é esse o assunto básico desta disciplina.

Justificativa:

Conteúdo:

Nas 12 aulas expositivas e nos seminários serão ventilados os temas alusivos à programação de moradias brasileiras situadas desde o Rio Grande do Sul até Manaus, na bacia amazônica. Como introdução serão estudadas as moradas vernáculas ibéricas, sobretudo portuguêsas do norte ao sul do país. Pela ordem serão estudadas as habitações indígenas e manifestações sincréticas – os mucambos; as habitações amazônicas e a questão do clima; casas do nordeste sertanejo e litorâneas, os engenhos de açúcar; moradas litorâneas do sul da Bahia até Santos, com especial ao Rio de Janeiro; habitações do litoral sul até Porto Alegre, a presença açoriana; a arquitetura residencial bandeirista e a cultura caipira; a casa mineira, a dos arraiais e as rurais; a arquitetura do café, ao longo do rio Paraíba do Sul; a casa eclética do séc. XIX; o pós-guerrra e a verticalização das cidades, os apartamentos.

Forma de Avaliação:

Observação:

Bibliografia:

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