Sobre a (i)materialidade dos corpos: urnas, contas, resinas e tintas e a construção de corporalidades no estuário amazônico

Publicado em 23 de setembro de 2025
ADI

Em 25/09/2025, às 10:00
Local: Online

O encontro faz parte do programa da disciplina de pós-graduação “AUH-5876. Amazônia Indígena, Ribeirinha, Urbana. Ecologia de Saberes e Desafio Decolonial nas Artes, Arquiteturas, Territórios”. Neste sentido, Emerson Nobre deve apontar que no estuário amazônico, observa-se uma ampla diversidade de urnas funerárias, muitas delas antropomorfas, que corresponde à variabilidade dos estilos cerâmicos regionais. 

Os diferentes contextos funerários, distribuídos pelas Ilhas Caviana e Mexiana, no arquipélago do Marajó, e pela costa estuarina do Amapá, indicam o compartilhamento de práticas mortuárias de corporificação, como a pintura vermelha dos esqueletos e seu depósito em urnas, acompanhado por um mobiliário interno ou externo que pode incluir pelotas de pigmento vermelho e resina vegetal, pequenos recipientes, pingentes e contas de pedras verdes, faiança e vidro, entre outros.

Este seminário propõe discutir a produção de corpos nesses contextos funerários a partir de noções de corporalidade ameríndia e de uma teorização que analisa a experiência corporal como processo integrado, sem a separação entre superfícies internas e externas.

Nesse sentido, urnas funerárias, contas, resinas e tintas podem ser compreendidas como materializações de agências e capacidades específicas, associadas a um processo de artesania dos corpos, no qual a matéria atua como mediadora entre sujeitos, mundos e temporalidades.