Publicado em 5 de maio de 2026
ADI
Reconhecida como uma das pioneiras no uso da inteligência artificial no Brasil, a professora, artista e pesquisadora Giselle Beiguelman concedeu uma entrevista à revista Fast Company Brasil na qual aborda temas como o uso (ou não) da IA, os limites da autorregulação das big techs e possíveis mudanças nos rumos dessa tecnologia.
Durante a conversa, Giselle destacou que um dos principais desafios da inteligência artificial é evitar que eficiência e lucro sejam os únicos critérios que orientam seu desenvolvimento. Para ela, é fundamental adotar uma abordagem que também considere a responsabilidade social. A pesquisadora chama atenção para o fato de que a IA é distribuída de forma desigual, embora seja construída a partir de recursos naturais e de um trabalho humano frequentemente invisibilizado.
Nesse contexto, ela defende a necessidade de medidas estruturais, como a tributação de ganhos extraordinários, a regulação ambiental de datacenters, a garantia de direitos para trabalhadores impactados, a remuneração pelo uso de obras e dados, auditorias públicas, políticas de soberania digital e investimentos em infraestruturas abertas. Sem essas iniciativas, alerta, a renda básica corre o risco de funcionar apenas como um “curativo social” para um modelo que continua gerando desigualdade em escala industrial.
Giselle também comentou sobre um livro em fase de publicação, escrito em parceria com Dora Kaufman, uma das principais especialistas em IA no Brasil. Segundo ela, a obra busca discutir como pensar a criatividade, a arte e a inteligência artificial sem cair nem no entusiasmo acrítico, nem no catastrofismo simplista.
A publicação propõe enxergar a IA como um campo de disputa estética, política e epistemológica — indo além da visão comum que a reduz a uma simples ferramenta. Entre as questões levantadas estão: que tipo de mundo visual a IA está ajudando a construir? Quais repertórios ela reproduz? Que exclusões ela reforça? Que formas de experimentação ela possibilita? E como artistas podem tensionar esses sistemas, em vez de utilizá-los apenas como máquinas de ilustração?
Para ler a entrevista na íntegra, acesse o site da Fast Company Brasil:
https://fastcompanybrasil.com/5-perguntas/5-perguntas-para-giselle-beiguelman-artista-e-pesquisadora/
Imagem de capa: Reprodução Fast Company Brasil